Jataí: da captura à transferência.

Estamos no mês de fevereiro, terminando a época ideal para captura de enxames, a qual teve seu inicio no mês de setembro, sendo assim,  espero que muitas pessoas tenham conseguido bons resultados com as iscas-pet.

Capturas de abelhas nativas nas isca-pet.

Capturas de abelhas nativas nas isca-pet.

Jataí capturada na isca pet.

Jataí capturada na isca pet.

Abelha mandaguari capturada na isca pet.

Abelha mandaguari capturada na isca pet.

Uma vez capturado um enxame na isca-pet é comum que surjam algumas dúvidas, por exemplo,”quanto tempo deixo a isca no campo?”, “como levar a isca capturada no campo para minha casa?”,  “como faço para transferir o enxame da isca pet para a caixa racional?”, portanto o objetivo deste texto é responder essas e outras dúvidas, então vamos lá!

1º Etapa: vistoria, transporte e acomodação da isca.

Primeiro passo: capturei um enxame na isca, quanto tempo devo esperar para levá-lo embora?

Recomendo que deixa a isca no local,  pelo menos por dois meses após a primeira evidência de que as abelhas enxamearam a isca, esse é um tempo ideal para que a colmeia já esteja fortalecida e possua uma rainha.

Segundo passo: qual o melhor horário para levar a isca embora?

Sempre durante a noite, pois durante o dia as abelhas saem para trabalhar no campo, se levarmos a isca a tarde perderemos muitas abelhas.

Terceiro passo: o transporte.

É muito importante que durante o transporte a isca seja mantida na mesma posição na qual ela se encontrava no campo. Não balance a isca, e de forma alguma a deixe de cabeça para baixo. Lembre-se que as iscas simulam um oco de uma árvore, e este não chacoalha, nem vira de cabeça para baixo.

Quarto passo: como e onde devo acomodar a isca capturada?

Mantenha a isca na mesma posição em que ela estava no campo, coloque a num ambiente protegido da chuva e do sol intenso. Tome cuidado com as formigas, evite o acesso das formigas até a isca!

2º Etapa: transferência, acompanhamento, cuidados.

Primeiro passo: a escolha da caixa racional.

Para essa questão eu escrevi um post inteiro, segue o link:

https://plantandovida.wordpress.com/2013/09/24/modelo-de-caixa-para-jatai/

Segundo passo: a transferência.

Para esta etapa eu preparei um vídeo prático, segue o link:

Terceiro passo: acompanhamento.

É fundamental acompanhar o desenvolvimento do enxame na caixa, recomendo vistorias a cada 3 dias. Verificar a produção de novos discos de cria, potes de alimento, presença ou ausência da mosca predadora (forídeo), presença de formigas, etc.

Quarto passo: alimentação.

Preparei um post que trata somente desse assunto, segue o link:

https://plantandovida.wordpress.com/2014/07/20/alimentacao-artificial-para-abelhas-energetica-e-proteica/

 

Obs. Reutilize a isca-pet em que a jataí foi transferida, você irá aproveitar o odor deixado pelas abelhas na pet, isso facilitará outras capturas..

Espero que esse texto que escrevi tenha esclarecido aqueles que apresentavam dúvidas, qualquer outra dúvida é só escrever nos comentários que se abaixo! Boa sorte…

 

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

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A importância da matéria orgânica no solo

Antes de iniciar o assunto a respeito da influência da matéria orgânica no solo, gostaria de definir “solo” e “matéria orgânica”. Entende-se por solo como a camada superficial da crosta terrestre, constituída por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos.  Matéria orgânica entende-se como os resíduos vegetais, animais e micro-organismos em constante processo de transformação. Note que a matéria orgânica faz parte do componente solo.

A matéria orgânica (M.O.) tem o poder de influenciar positivamente as características físicas (densidade, porosidade), químicas  (liberação e fixação de nutrientes, regulação do pH, etc.) e biológica (fonte de alimento e substrato para o desenvolvimento de micro-organismos, etc.) do solo.   Embora a M.O. encontre-se em quantidade reduzida (~4%) nos solos minerais, ela tem papel fundamental na melhoria de sua fertilidade e ,também, no aumento da produtividade vegetal.

Vejamos alguns desses efeitos que matéria orgânica exerce nos solos:

  • A matéria orgânica diminui a fixação e a insolubilização do fósforo, portanto aumentando doses de matéria orgânica no solo, aumenta-se a disponibilidade desse importante nutriente para as plantas –  a matéria orgânica evita o maior contato do fosfato solúvel com óxidos e hidróxidos que o insolubiliza.
  • A única forma de armazenar o nitrogênio no solo é na forma orgânica, visto que as formas minerais são facilmente lavadas pela água da chuva.
  • A adubação orgânica permite abaixar a densidade do solo, tal efeito acontece devido a  densidade da M.O. ser menor que a do solo (mineral). Um solo com boa densidade, significa um solo com boa aeração e , que permite as raízes se desenvolvam bem e  ,dessa forma, absorvam água e oxigênio com mais facilidade.
  • O adensamento e/ou compactação de camadas de solo proporciona alterações no arranjo das partículas, diminuindo o volume de seus poros, aumentando sua densidade e a resistência mecânica à penetração de raízes, água e nutrientes, afetando também atributos químicos (disponibilidade de nutrientes), biológicos (desenvolvimento de microorganismos) e a rizosfera (SILVA et al., 2001).
  • A matéria orgânica é uma importante fornecedora de enxofre para o solo. Do enxofre total encontrado nos solos, aproximadamente 50 a 70% estão na forma orgânica. Sendo assim a  matéria orgânica é uma importante fornecedora desse macronutriente para os solos brasileiros.
  • As reações químicas da matéria orgânica produzem elementos capazes de reter nutrientes no solo, tais como: o potássio, cálcio, amônio, ferro, zinco, cobre, manganês. Dessa forma, ela evita a perda desses nutrientes durante a lavagem do solo pelas águas das chuvas.  As argilas são grandes responsáveis pela retenção de nutrientes no solo.
  • O emprego sistemático de adubo orgânico no solo, melhora a sua estruturação, devido aos materiais aglutinantes do húmus, que tem a propriedade de cimentar as partículas do solo (areia, silte, argila) formando agregados estáveis, responsáveis pela sua estruturação.
  • O húmus atua no solo impedindo alterações bruscas do seu pH, beneficiando, assim, a vasta fauna extremamente importante que nele vive. A esse efeito é atribuído o nome de “poder tampão”.
  • Manter uma camada de material orgânico sobre o solo permite a estabilização de sua temperatura superficial, contribui para o desenvolvimento das raízes e dos micro-organismos, protege o solo da chuva evitando erosões e permitindo uma maior infiltração das águas e, conforme o material orgânico for se decompondo, ocorre a liberação de nutrientes minerais.
  • A M.O. permite o desenvolvimento de micorrizas, associação mutualística entre fungos e as raízes dos vegetais, e essa interação resulta numa melhor absorção de nutrientes e água pelos vegetais.
  • Manter e acrescentar matéria orgânica no solo, fixa de carbono, contribuindo para a diminuição do efeito estufa.
  • O emprego sistemático de adubos orgânicos auxilia a produção de vegetais mais resistentes, bem nutridos, dispensando o uso de venenos que são onerosos e fazem mal para saúde e o ambiente. Pode, também, contribuir para a reutilização de certos resíduos industriais, residências e agrícolas,  os quais apresentam elevada quantidade de nutrientes e  quando mal utilizados provocam danos ambientais, como a eutrofização.
matéria orgânica no solo

Nesta figura podemos observar uma porção de solo rica em matéria orgânica (direita) e outra pobre (esquerda). Um solo rico em matéria orgânica apresenta coloração escura.

Incorporação de composto orgânico ao redor da muda de bananeira.

Incorporação de composto orgânico, oriundo da compostagem caseira, ao redor da muda de bananeira.

Proteção do solo com material vegetal seco.

Proteção do solo com material vegetal seco. Mantenha o solo sempre coberto, sempre protegido!

bananeira

O resultado: essa maravilhosa bananeira!

Termino este texto com trecho do Sir Albert Howard presente no livro “Um testamento Agrícola”: “A manutenção da fertilidade do solo é a primeira condição de qualquer sistema permanente de agricultura. Os sistemas de produção de colheitas comuns provocam a perda contínua da fertilidade do solo; é, pois imperativo, a sua contínua recuperação através da adubação e manejo do solo. ” Leia adubação como adubação orgânica, pois Howard não compactuava com a ideia da utilização de adubos minerais nos sistemas agrícolas.

Felipe Furtado Frigieri

Bibliografia

Howard, A. Um testamento agrícola; tradução Prof. Eli lino de Jesus, 2 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012. 360 p.

Kiehl, E. J. Adubação orgânica – 500 perguntas e respostas / Edmar Jsé kiehl – Piracicaba, 2008. 227 p.

Khatounian, C. A. A reconstrução ecológica da agricultura / C. A. Khatounian. Botucatu : Agroecológica, 2001.

SILVA, R. H.; ROSOLEM, C. A. Crescimento radicular de espécies utilizadas como cobertura decorrente da compactação do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.25, n.2, p.253-260, 2001.

 

 

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Assine – Antes que as abelhas desapareçam!

Divulgando a campanha que pleiteia a proibição do uso de pesticidas neonicotinoides, até que estudos independentes sejam feitos, e só assim, esclareçam se há ou não riscos para o meio, após a sua utilização.

Há suspeitas de que essa categoria agrotóxicos tem provocado a morte ou “sumiço” das abelhas.

As abelhas tem papel fundamental na manutenção da vida na terra. Pois elas são responsáveis por grande parte do processo de polinização. A partir da polinização, é que são formados a maioria dos nossos alimentos.  Sem esse processo, uma infinidade de sementes e frutos deixarão de se formar, provocando, assim,  uma onda de desequilíbrios ambientais, sociais, culturais e econômicos.

Não permita que isso aconteça. Assine, por favor!

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees_us_pet_loc/?slideshow.

Abelha mamangava realizando a polinização na flor do maracujazeiro.

Abelha mamangava realizando a polinização na flor do maracujazeiro.

 

Obrigado!

 

Felipe Furtado Frigieri

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Alimentação artificial para abelhas – energética e proteica

As abelhas retiram os seus alimentos basicamente das flores das plantas. Do néctar coletado nas flores elas fabricam o mel e do pólen recolhido, elas misturam com alguns de suas enzimas e produzem uma massa proteica. O néctar e pólen são armazenados em potes ou discos para serem consumidos diariamente e principalmente em períodos de escassez de flores.

O estoque de alimento feito pelas abelhas permite que elas consigam sobreviver tranquilamente nos períodos em que não haja oferta de flores.

Na natureza a relação plantas-abelhas acontece perfeitamente, pois ocorre de maneira equilibrada. Quando mudamos da ótica da natureza para, por exemplo, uma criação racional de abelhas, onde há várias colmeias por metro quadrado, o que não acontece no ambiente natural, à dinâmica é outra. Desse jeito, e é preciso que o meliponicultor ou apicultor forneça uma alimentação “artificial” para seus enxames, especialmente nos períodos de escassez floral, caso contrario as colmeias ficarão muito fracas podendo até morrer.

O alimento artificial que se utiliza tenta imitar as duas principais fontes alimentares das abelhas, o néctar e o pólen. O néctar tem função energética, e pode ser substituído por um xarope de água com açúcar. A massa de pólen é a principal fonte proteica e vitamínica das abelhas,  e pode ser trocado pelo pólen desidratado de Apis (encontra-se à venda em loja de apicultura ou de produtos naturais)com um pouco de mel, formando os chamados “bombons do Cappas”.

Modo de preparo do xarope energético.

Misturar partes iguais em massa de açúcar e água num recipiente, aquecer no fogo e aguardar até que a mistura fique homogênea, ou seja, quando todo o açúcar estiver dissolvido. Para finalizar devemos acrescentar suco de limão na mistura (água + açúcar) quando ela ainda estiver aquecida. Para 1000 ml de água use 1000 g de açúcar e o suco de um limão – de preferência ao limão “galego” ou “tahiti”. O limão contém ácido cítrico, e esse ácido é capaz de desdobrar a sacarose do açúcar em glicose mais frutose, facilitando assim, o trabalho digestivo das abelhas.

 

Modo de preparo do “bombom de Cappas”.

Segue um vídeo do “youtube” que ensina passo a passo como preparar os bombons.

Alimentação energética fornecida à mandaçaias.

Alimentação energética fornecida à mandaçaias.

Alimentação proteica fornecidas à mandaçaias. Observar que elas já começara se alimentar dos bombons.

Alimentação proteica fornecidas à mandaçaias. Observar que elas já começara se alimentar dos bombons.

Alimentação energética fornecida à abelha jataí.

Alimentação energética fornecida à abelha jataí.

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Iscas e própolis de abelhas nativas (jataí, mandaçaia, mandaguari)

Isca pet e própolis para captura de abelhas sem ferrão. Envio para todo o Brasil!! As iscas são feitas com própolis específicos. Temos isca e própolis de jataí, mandaçaia, bora e iraí. Quem se interessar pode entrar em contato via e-mail: felipefrigieri@hotmail.com

isca abelha jataí

Estoque de iscas para captura de abelhas sem ferrão.

isca e própolis de jataí

Própolis de abelhas sem ferrão, matéria prima para produção de iscas.

isca abelha jataí

Sucesso na captura de uma colmeia da abelha jataí utilizando isca pet.

isca abelha jataí

Vista dos discos de cria e da rainha de uma isca pet colonizada pela abelha jataí. Sucesso!

Contato felipefrigieri@hotmail.com

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Transferência, divisão e coleta de mel da jataí.

Realizei ontem (27.02.2014) a transferência de um enxame de jataí (Tetragonisca angustula angustula Latreille) que se encontrava dentro de um oco de uma parede, para uma caixa racional.

No momento da transferência verifiquei que a colmeia estava bastante forte, visto que havia muitos discos de cria (aprox. 20), células reais, muitas campeiras e muito pólen e mel. Por conta disso, aproveitei para dividir o enxame, dando origem a duas caixas racionais, que para exemplificar vou chamar de caixa A e B.

A Metodologia empregada foi a seguinte.

Dividiu-se o enxame inicial em duas partes, dessa forma uma parte dos discos de cria (aprox. 10) mais a abelha rainha foram transferidos para caixa A, a qual foi levada a mais de 4 metros de distancia do enxame inicial. Na caixa B transferiram-se discos de cria (aprox. 10) com a presença da célula real em alguns deles, colocou-se a caixa no local em que se encontrava o enxame inicial.

A partir dessa metodologia, espera-se que na caixa A a situação se normalize após uns 2 meses, visto que ela perdeu muitas abelhas campeira durante a divisão.

Como a caixa B foi colocada no local do enxame antigo, a recuperação é mais rápida, visto que ela ganha as campeiras do enxame antigo.  Cerca de um mês o enxame já está recuperado.

A única questão é que na caixa B não haverá inicialmente uma rainha fisogástrica. No entanto, dentro alguns dias a célula real dará origem a uma princesa (rainha virgem), e essa princesa será fecundada por um zangã0 (macho haploide) tornando-se uma rainha fisogástrica e apta a realizar posturas.

Dicas:

  • Lacre bem todos os vãos da caixa. Utiliza-se para isso fita adesiva. Tal procedimento objetiva evitar a entrada de forídeos e formigas,
  • Coloque alimentação energética artificial dentro da colmeia. A alimentação artificial é um xarope feito da mistura de partes iguais de água com açúcar. Misturam-se as partes e em seguida aquece a mistura no fogo até que só reste a fase líquida.
  • Alimente a caixa com o xarope 1 vez a cada 3 dias, durante 1 mês pelo menos.
  • Impeça o acesso de formigas à caixa.
  • Não se recomenda colocar os potes de pólen e mel do enxame antigo na caixa nova, pois eles podem ser um atrativo para forídeos.
  • Caso verifique a presença de forídeos nas caixas. Caso os encontre, coloque dentro da caixa um potinho de aprox. 10 ml tampado e com um pequeno furo na tampa (diâmetro de um palito de fósforo). Preencha o pote com vinagre. Troque a solução de vinagre a cada 2 dias. Obs. o forídeo é uma mosquinha pequena, lembra as moscas de fruta.
Entrada do ninho da jataí.

Entrada do ninho da jataí.

Vista interna do ninho, as abelhas isolaram o ninho com cerume (cera mais própolis).

Vista interna do ninho, as abelhas isolaram o ninho com cerume (cera mais própolis).

Discos de cria de jataí. A célula que estou apontando é célula real, que dará origem a uma rainha. Observe m que ela é bem maior que as outras células.

Discos de cria de jataí. A célula que estou apontando é célula real, que dará origem a uma rainha. Observe m que ela é bem maior que as outras células.

Mel coletado da jataí. Comparando o mel de jataí ao da abelha africanizada, nota-se que ele é menos denso (mais água), porém na minha opinião muito mais saboroso. A tradição popular atribuí propriedade medicinais ao mel da jataí.

Mel coletado da jataí. É um mel menos denso que o mel de apis e na minha opinião muito mais saboroso. A tradição popular atribuí propriedade medicinais ao mel da jataí.

Agradeço meu amigo Diogo Barsanti que permitiu a transferência da colmeia de jatai presente no seu Rancho e também a fundamental contribuição do amigo Antonio Carlos Junior.

 

Boa sorte a todos!

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

 

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Compostagem residencial

Diariamente no decorrer de nossas atividades, não damos conta, mas produzimos em média por pessoa 1 Kg de diversos resíduos, desses, cerca de 60 % ou 600 g são resíduos orgânicos como: cascas de frutas, restos de alimentos cozidos, carnes, etc.

Infelizmente, ainda a grande maioria dos municípios brasileiros não dá um destino adequado para seus resíduos orgânicos, sendo esses, em grande parte, depositados a céu aberto e acabam produzindo líquidos e gases que contaminam o solo, água, o ar e inclusive as pessoas. Além disso, esses ambientes que servem de deposito de resíduo orgânico tornam-se atrativos para insetos indesejados, ratos e outros, isso acarreta em mais problemas de saúde.

A questão da destinação dos resíduos sólidos é teoricamente é competência do poder público e das empresas privadas, no entanto a sociedade civil pode através de algumas atitudes vir a contribuir positivamente na resolução dessa questão.

Podemos fazer duas coisas nas nossas residências que irão contribuir positivamente para a questão aborda acima, a primeira delas é bastante simples: basta diminuirmos nosso desperdício de alimento, passando a cozinhar na medida certa e ainda utilizando cascas, talos de frutas e hortaliças na nossa alimentação, que por sinal são bastante ricas em vitaminas.

A outra atitude não é complexa, porém demanda um pouco de cuidado, trata-se da compostagem. Simplificadamente a compostagem consiste na transformação de compostos orgânicos instáveis em compostos orgânicos estáveis, ou simplesmente a transformação de restos de comida, hortaliças, cascas de frutas em adubo orgânico. O processo é simples e pode ser feito até em apartamentos.

A compostagem caseira diminui a geração de resíduos tóxicos em aterros, consequentemente evitam-se todos os problemas que esses resíduos geram nessas que são depositados e ainda, permite a produção de adubo sólido e líquido na sua própria casa. Para termos ideia, numa residência onde vivem 4 pessoas,  ao final de um mês teremos aproximadamente 72 Kg de resíduos orgânicos produzidos  e cerca de 860 Kg no final de uma ano, uma vez feita a compostagem desses resíduos, estamos tratando localmente os nossos resíduos, produzindo adubo e deixando de destinar a aterros ou lixões uma significativa quantidade desses materiais.

Para uma boa compostagem você vai precisar de:

  • recipiente para armazenar os resíduos (pode ser baldes, caixas ou diretamente no solo),
  • folhas secas ou pó de serra (serragem de madeira),
  • pá de jardim ou equipamento semelhante (para mexer o composto),
  • recipiente para armazenar o adubo líquido.

O que pode ser decomposto:

  • cascas de frutas,
  • alimentos cozidos (arroz, feijão, etc.),
  • borra de café,
  • papel guardanapo,
  • (evitar carne em grandes quantidades, pois elas podem atrair moscas e produzir mau cheiro),
  • resíduos da jardinagem (folhas, galhos, flores, etc.).

Como fazer:

  • misturar os resíduos orgânicos com as folhas secas ou a serragem, na proporção de duas partes para uma, respectivamente;
  • mexer o composto diariamente (oxigênio é fundamental para boa decomposição);
  • mantê-lo úmido (cuidado para não encharcá-lo).
  • acrescentar ao composto minhocas vermelhas (facilmente encontradas em locais que vendem isca para pescaria).
  • a decomposição leva aproximadamente 60 dias para ser finalizada,
  • no final do processo teremos um produto de cor escura, cheiro de terra molhada,  portanto pronto para ser utilizado no jardim, floreiras, horta, pé de árvores, etc.

Segue abaixo um vídeo retirado do ‘youtube”, em que jovens estudantes ensinam a construir uma composteira utilizando galões de 20l  de água, tal recipiente é interessante pois apresentam prazo de validade, uma vez vencidos podem ser empregados para nessa finalidade. Esse modelo composteira é bastante simples e pode ser utilizada em residências com quintal pequeno, e até mesmo em apartamentos. Para uma família de 5 pessoas, o ideal é duas a três composteiras desse modelo, no entanto isso pode variar de acordo com os hábitos da família.

Fiz essa composteira na minha casa e o resultado foi muito bom. Principalmente por ter o coletor do adubo líquido. O inconveniente é o seu volume reduzido, mas isso pode ser resolvido construindo mais uma ou duas composteiras, de acordo com a necessidade.

DSC01250

Composteira em funcionamento. Na parte superior verificamos o composto sólido e na inferior o adubo líquido.

É Fundamental colocar um pouco de folha seca ou serragem na mistura, logo após que por os resíduos orgânicos.

Logo após de acrescentar os resíduos orgânicos é fundamental colocar um pouco de folha seca ou serragem sobre o composto e revolver a massa, de modo a mantê-la sempre oxigenada.

Composto pronto para ser utilizado. O cheiro é semelhante ao de terra molhada.

Composto pronto para ser utilizado. O cheiro é semelhante ao de terra molhada.

Coletando o adubo líquido, praticamente inodoro.

Coletando o adubo líquido, praticamente inodoro.

O adubo líquido pode ser utilizado para adubar plantas em geral. Mistura duas partes de água para uma do adubo líquido.

O adubo líquido pode ser utilizado para adubar plantas em geral. Misturar duas partes de água para uma do adubo líquido.

Felipe Furtado Frigieri

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