Compostagem caseira

Cerca de 60% dos resíduos despejados nos lixões são de origem orgânica, como casca de frutas, restos de alimentos, resíduos vegetais (grama, galhos, folhas, flores) e etc. Todos estes produtos podem ser reutilizados, aumentando a vida útil dos lixões e dando um fim nobre para tais materiais.

A compostagem é um meio fácil, útil, ecológico, econômico e produtivo de reciclar o “lixo” orgânico. Ela consiste na transformação de compostos orgânicos instáveis nãopelas plantas, em matéria orgânica absorvível por elas. Tal produto melhora as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo. Quimicamente auxilia na liberação e absorção de nutrientes; fisicamente melhora as propriedades físicas do solo, tornando omenos denso e favorecendo a absorção de água no solo; e biologicamente permite a existência de inúmeros organismos benéficos  no solo, dos quais as plantam são extremamente dependentes.

Existem várias maneiras de se fazer uma composteira, elas variam de acordo com a quantidade de resíduos orgânicos a serem decompostos, disponibilidade de espaço e o local que será instalada a composteira.

Um modelo simples de composteira, utilizando um cesto de lixo. Para isso foi utilizado um cesto, um tubo de PVC e uma tela mosquiteira.  O gasto total foi de aproximadamente 25 reais.

Para que o processo de decomposição ocorra tudo bem, e no final produza a matéria orgânica utilizável (adubo orgânico), quatro fatores são indispensáveis, independentemente da escala, seja ela caseira ou industrial : temperatura, umidade, relação carbono/nitrogênio (C/N) e aeração.

Recortei dois retângulos no cesto e fechei-o com a tela, dessa forma permite-se a aeração do cesto e evita-se a entrada de insetos e outros organismos indesejados.

Devemos fazer vários furos no tubo de PVC e colocá-lo no centro do cesto. Isso proporcionará maior aeração para o processo de compostagem.

A temperatura é um indicador do processo de compostagem, na fase inicial da decomposição, ela deve ficar por volta dos 60ºC, devido à atividade dos microorganismos.  Se a temperatura não se elevar no início da “compostagem” é um sinal de que algo está errado, como falta ou excesso de umidade (muita água na mistura a torna anaeróbica, e pouca água não permite o desenvolvimento dos microorganismos decompositores), relação (C/N) desregulada e/ou falta de oxigênio.

No fundo do cesto deve-se fazer furos para permitir a drenagem do líquido gerado no processo da compostagem, este  pode ser armazenado em um pote para ser utilizado como biofertilizante ou deixá-lo cair diretamente na terra.

A mistura deve apresentar aproximadamente 30 partes de carbono para 1 parte de nitrogênio, tal relação é importante para o funcionamento ideal do metabolismo dos microorganismos. Normalmente os restos de comida, casca de frutos e esterco de galinha são compostos ricos em nitrogênio, já  pó de madeira e palhadas, são materiais ricos em carbono.  No site da embrapa* tem uma lista com a relação  (C/N) de diversos materiais.

Processo de compostagem quase no final. Neste momento acrescentei minhocas na composteira, com intuito de acelerar o processo de decomposição. Tal atividade é recomenda, porém é opcional.

A aeração da mistura é fundamental, sua falta pode acarretar na decomposição anaeróbica (decomposição sem a presença de oxigênio) e consequentemente na não decomposição dos resíduos, produção de gases de mau cheiro e ainda, aatraçãode organismos indesejados (moscas, ratos, etc.).

Pode-se destinar ao processo de compostagem resíduos da cozinha e do jardim. Após depositá-los na composteira, recomenda-se acrescentar sobre elesmateriais ricos em carbono, por exemplo, a serragem e restos de folha, isso além datuarna relação C/N, controla também o excesso de umidade epermite a aeração da mistura.

A composteira exige alguns cuidados simples, como: a verificação da temperatura, umidade, presença de odores ruins e organismos indesejados.

No final do processo de decomposição, que leva de 2 a 3 meses, temos um material de coloração escura, com odor de mofo e terra molhada. Este material final pode ser utilizado para adubação de pomares, jardins, vasos, etc.

Composto praticamente pronto. Verificamos que ele apresenta coloração escura e não sentimos  odor desagradável. Esta pronto para ser utilizado como adubo. orgânico.

Ao construir uma composteira caseira, estamos contribuindo para questões de ordem econômica, ambiental e de saúde pública. Economicamente é favorável, pois aumenta a vida útil dos aterros sanitários, diminui o transporte de resíduos, gera adubo orgânico, otimiza-se o aproveitamento de outros resíduos ( metais, plásticos, vidro, etc.). Ambientalmente contribui devido à diminuição da produção de gases (metano) e líquidos (chorume) altamente poluentes nos aterros sanitários, por fim, reduz a contaminação dos corpos d’água e solo. E evita-se a proliferação deratos e de outros animais indesejados, colaborando para questões de saúde pública.

Além da atitude de reciclar nossos resíduos orgânicos, devemos também praticar o consumo consciente e evitar desperdícios – o planeta agradece!

Bibliografia

Site Embrapa: cnpmf.embrapa.br/publicacoes/circulares/circular_76.pdf (acesso em 01/01/2012)

Felipe Furtado Frigieri

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Sobre Felipe Furtado Frigieri

Engenheiro florestal graduado pela ESALQ-USP. Interessado em discutir temas relacionados a arborização urbana, restauração florestal de ambientes degradados, horta urbana, reciclagem, criação de abelhas nativas, entre outros.
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16 respostas para Compostagem caseira

  1. Ochmann disse:

    Amigo Felipe.
    Pergunto: quantas latas de PVC (conforme mostrado no teu artigo), têm que ser colocados para dar conta do lixo orgânico, proveniente do consumo diário de 3 pessoas? Isto ainda, considerando o tempo de residência de 2-3 meses de cada carga completa pors lata.

    Estaria grato, por um cálculo quantitativo do número de latas necessárias.

    Abraço
    Ochmann

    • Olá Ochmann,

      para três pessoas, duas latas são o suficiente. No momento em que completar a última lata, o composto da primeira lata já devera estar pronto para ser utilizado.
      ABraços e boa sorte!

      Felipe

      • Ochmann disse:

        Felipe,

        ainda falta o dado sobre a dimensão da lata; isto é, quantos litros nela cabem.
        Nesta semana, vou encontrar-me com um zootécnico da Universidade de Viçosa, onde foi desenvolvido um sistema que podes ver em http://www.minhobox.com.br, e vou discutir também a velocidade do encolhimento volumétrico da carga. Eis que, cada dia, é sobreposta uma carga nova na lata, vindo úmida da cozinha. O encolhimento volumétrico dá-se por dois fatores: um, evaporação d’água; outro, trituração causada pelas minhocas.

        Estou certo que Você está, em princípio, no caminho certo. E, por ser assim, seria importante partir para a fase laboterial – feita sob tua supervisão. Afinal, Você é o inventor.

        Abraço

        Ochmann

      • Olá Ochmann.

        Na verdade não foi eu quem inventou este modelo. Estou apenas o replicando. Existem vários modelos de compostagem, na minha casa eu utilizo este do balde, devido a falta de espaço. Já na república em que eu morava fazíamos a compostagem diretamente no chão.

        Eu utilizo um balde de 60 litros. Realmente o volume do composto diminui bastante. Pelo que observei o composto pronto é cerca 3 vezes menos que a mistura inicial (fresca).
        Realmente, vamos conversando e trocando nossas experiências.

        Abraços,

        Felipe

  2. Gabriela Salazar disse:

    Parabéns pelo artigo, e pela iniciativa da compostagem caseira, pois e muito raro, eu to estudando a nova lei dos resíduos sólidos Lei 12.305/2010, por isso cheguei até este site..

    • Olá Gabriela.
      Obrigado pelo elogio. Neste artigo tentei passar a mensagem da reutilização dos resíduos orgânicos. E mostrar para as pessoas que a ação é simples e muito benéfica para o ambiente.

      Abraços,
      Felipe

  3. dimn nascimento disse:

    MUITO BOM SEUTRABALHO FELIPE FURTADO, SO NAO ENTENDI E SE O BALDE FICA TAMPADO OU NAO !

  4. Heloísa disse:

    Felipe, boa tarde!
    Adorei essa forma de se fazar compostagem sem muito espaço em casa.
    Mas como faço para mexer a compostagem ?

    Obrigada!
    Heloísa

    • Oi Heloísa,

      sua pergunta é muito importante. Infelizmente essa é a maior dificuldade desse modelo de compostagem. O tudo no meio é justamente para compensar a dificuldade de mexer, mas não é o suficiente.
      É preciso mexer com um certa frequência, recomendo que faça isso utilizando pá de jardinagem.

      Um abraço e boa sorte.

  5. Eraldo Monteiro de Barros disse:

    Caramba …
    Basta, nos casos apresentados, usar DOIS BALDES (ou duas caixas de comercializar peixes) e derramar um dentro do outro quando for “mexer”. O importante é fazer entrar ar. Arejar a mistura.
    O recipiente (balde, latão ou caixa) não deve ter muita altura para não compactar e reduzir a aeração.
    Experimentem
    Abs
    Eraldo

  6. Rossana Kaneko disse:

    Felipe, estou fazendo uma compostagem no meu apartamento com garrafa pet. Agora, no final da compostagem, apareceram pequenas larvas(acho que são) brancas de +/- 3mm. Não sei o que são nem de onde vieram pois mantive a composteira bem fechada e só usei cascas de frutas e de legumes. O que faço?

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