Paú (um super composto)

A madeira é produzida pelos vegetais através de um processo fantástico conhecido como fotossíntese. Os vegetais conseguem transformar a água mais gás carbônico, partir da energia luminosa do sol, em compostos orgânicos (frutos, sementes, folhas, madeiras).

Uma vez que uma árvore morre na natureza, toda madeira acaba servindo de alimento para uma infinidade de organismos (fungos, bactérias, cupins, formigas, besouros, etc.), que ao se alimentarem desse material, acabam decompondo-o até materiais estáveis que irão melhoras as condições físicas e químicas do solo.

O material originário da madeira e em elevado estágio de degradação  é denominado pelos indígenas como “paú”. Trata-se de um excelente material estável quimicamente e de baixa densidade, excelente para produção de compostos empregados na produção de mudas.

Na agrofloresta ou agricultura sintrópica a poda das árvores visa, além da entrada de luz no sistema, produzir esse material (paú) de modo a melhorar cada vez mais a fertilidade do solo, ciclagem de nutrientes e possibilitar o desenvolvimento de uma infinidade de organismos benéficos dentro do sistema.

Ovídeo abaixo mostra um pouco sobre o paú.

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Madeira em processo de decomposição

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Larva de besouro que se alimentava da madeira em decomposição.

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Larvas de besouro que se alimentavam da madeira em decomposição.

Fungos decompositores de madeira.

Fungo decompositor de madeira.

Fungos decompositores de madeira.

Fungo decompositor de madeira.

Nos sistemas agroflorestais a madeira é utilizada coo cobertura e proteção do solo

Nos sistemas agroflorestais a madeira é utilizada como cobertura e proteção do solo. Além de proteger o solo a madeira tem o poder de reter água no sistema e serve de alimento para uma infinidade de organismos.

Felipe Furtado Frigieri

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Curso de Agrofloresta – 21 e 22 de outubro

Durante os dias 21 e 22 de outubro de 2017 foi realizado o Curso de Agrofloresta com foco Horticultura. O curso foi realizado por Felipe Furtado Frigieri, engenheiro florestal e por Fábio Boschi Ribeiro, engenheiro agrônomo.

Os Sistemas Agroflorestais buscam produzir alimentos diversos (raízes, sementes, frutos, hortaliças, etc.), madeiras, óleos, entre outros em harmonia com os processos sucessionais naturais, respeitando técnicas de estratificação florestal e do manejo ecológico do solo. Essa atividade ao longo do tempo melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo, aumenta as taxas de infiltração de água, fixa carbono e convive muito bem a natureza. Por dispensar qualquer tipo de agrotóxico e fertilizante mineral de rápida reação produz alimentos riquíssimos, sem contaminar o ambiente e Homem.

Segue algumas imagens do evento.

preparação solo área

Preparo  do solo que recebera a agrofloresta.

preparo dos canteiros

Preparo dos canteiros agroflorestais.

plantio das mudas

Plantio das mudas e sementes

canteiros prontos

Canteiros prontos. Solo protegido!

Realizamos consultorias, cursos e oficinas.

Para maiores informações entrar em contato através do e-mail

felipefrigieri@hotmail.com

 

 

 

 

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Curso de Agrofloresta em Itapetininga-SP

 

curso de agrofloresta em Itapetininga-SP

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Solo coberto na agricultura tropical e suas vantagens.

Devido às condições climáticas dos trópicos – temperaturas elevadas e uma grande quantidade de chuvas – a natureza buscou formas de preservar a estrutura física, química e biológica do solo.

As florestas tropicais “criaram” mecanismos baseados na diversidade de plantas, onde, naturalmente,  cada grupo vegetal ou forma vegetal ao ocupar diferentes andares dentro desse ambiente, acaba comportando-se como “filtros de proteção” ou barreiras físicas e somados a isso, uma camada de folhas e galhos (serrapilheira) que caem das plantas e cobrem o solo acabam o protegendo de processos erosivos devido a diminuição da velocidade das gotas de água das chuvas. E, também, esse fatores acabem funcionam como um filtro protetor ao diminuir a incidência solar que atingem a superfície da terra, evitando assim processos o super aquecimento e o ressecamento da superfície – tal processo é de enorme importância para a manutenção e perpetuação de uma grande quantidade de seres que habitam as camadas superficiais do solo (Primavesi, A. 2002).

A imagem mostra as copas de diferentes espécies vegetais em um trecho de Mata Atlântica localizada no Parque Estadual Carlos Botelho. São Miguel Arcanjo - SP.

A imagem mostra as copas de diferentes espécies vegetais em um trecho de Mata Atlântica localizada no Parque Estadual Carlos Botelho. São Miguel Arcanjo – SP.

E como a natureza e perfeita, a mesma camada de folhas, galhos e trocos caídos que protegem o solo, serve, também, de alimento para uma gigantesca quantidade de macro e micro seres (bactérias, fungos, minhocas, entre outros) e, consequentemente, acabam devolvendo para o ambiente uma grande quantidade de nutrientes que serão novamente reabsorvidos pelos vegetais e animais, esse mecanismo é denominado ciclagem de nutrientes é fundamental para a saúde e manutenção do ecossistema.

Camadas de folhas e galhos mortos que protegem o solo da erosão.

decomposição folhas

Na foto verificamos que a decomposição de uma folha. A velocidade da decomposição varia de acordo com a complexidade do carboidrato. Sendo primeira decomposto o amido, depois e celulose e só por último a lignina.

A relação da biodiversidade de seres que habitam o solo aliados ao aporte volumoso e constante de matéria orgânica pelos vegetais nas florestas, contribuí fortemente para formação e sustentação de exuberantes ecossistemas, como é o caso da Amazônia, que mesmo  originária de um solo  quimicamente pobre apresenta uma megabiodiversidade.

Diante dessas informações, fica claro a necessidade da incorporação da matéria orgânica nos sistemas agrícolas tropicas, além de adotar práticas que possibilitem o aporte constante de matéria orgânica sobre a superfície do solo, de modo a mantê-lo o sempre coberto. Um exemplo disso, são os sistemas agroflorestais, que inserem plantas, desde gramíneas até árvores, com o objetivo de fornecerem, além de tantas funções (madeira, quebra-vendo, frutos, adubo verde, forração etc.) matéria orgânica para o sistema produtivo.

Canteiro agroecológico com diversidade de hortaliças.

Canteiro agroecológico com diversidade de hortaliças com o solo protegido por cobertura morta.

ausência matéria orgânica

Além de pintarem o caule com cal, que foi discutido aqui neste blog, que não trás beneficio algum, também removeram toda a camada protetora solo. Ficou feio do ponto de vista e terrível  paisagístico e agronômico. Ler também: https://plantandovida.wordpress.com/2013/02/06/pintar-o-tronco-das-arvores-com-cal-faz-bem/

ausência cobertura nos canteiros

Verificamos nesta imagem a ausência de cobertura morta nos canteiros. Isso vai acarretar na erosão do solo, diminuição da vida útil do canteiro, aumento da temperatura do solo e perda de fertilidade.

solo coberto

Implantação de uma agrofloresta e cobertura do solo com materiais vegetais (capim, maona, etc.). Curso de agrofloresta ministrado por Ernst Götsch e Mutirão Agroflorestal, São Joaquim da Barra – SP.

influência da matéria orgânica no solo

Influência da matéria orgânica no solo. Ler também: https://plantandovida.wordpress.com/2014/10/28/a-importancia-da-materia-organica-no-solo/

Segue abaixo, enumeradamente, os principais benefícios da manutenção de uma cobertura morta sobre o solo nos sistemas agrícolas:

  • conservação da umidade do solo,
  • diminuição da temperatura da superfície do solo e proteção contra os raios ultra violetas,
  • fornecimento de alimento para a vida do solo,
  • proteção do solo contra a erosão hídrica (chuva, irrigação) e eólica,
  • redução de plantas infestantes ao redor dos cultivos,
  • melhoria das condições químicas do solo a longo prazo.

 

Felipe Furtado Frigieri

 

Bibliografia

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico do solo:a agricultura em regiões tropicais – São Paulo: Nobel, 2002.

 

 

 

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Abelhas sem ferrão: a questão do manejo das lixeiras.

Dentro de uma colmeia de abelhas sem ferrão, é comum as operárias juntarem resíduos em certos pontos, formando o que chamamos de lixeiras. Durante certaa fase do desenvolvimento das abelhas operárias cabe a responsáveis por limpar, faxinar o interior do ninho, retirando abelhas mortas, resíduos, etc.

Para a remoção dos resíduos, as abelhas,  utilizam as mandíbulas para segurar os materiais e,  em seguida,  os jogam para fora da colmeia, mantendo assim o interior o mais limpo possível.

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Abelha iraí (Nannotrigona testaceicornis). Reparem a abelha carregando uma bolinha amarela com a mandíbula, trata-se de resíduo que a operária está jogando para fora da colmeia. 

manduri

Retirada da lixeira de uma colmeia de manduri (Melipona marginata).

Podemos facilitar o trabalho das abelhas retirando esses materiais da colmeia com uma certa frequência, além disso,  estaremos evitando a acumulação de materiais com elevado potencial fermentativo, o que poderia atrair os forídeos – mosquinhas que adoram acabar com os enxames.

Felipe Furtado Frigieri

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É possível transformar uma área cheia de entulhos numa linda horta?

Prendendo com este texto compartilhar uma experiencia agroecológica que tive em um pequeno terreno de  aproximadamente 50 m²  localizado na área urbana no município de Itapetininga – SP.
O histórico dessa empreitada , resumidamente, é mais ou menos assim. Em meados de 2014,  um senhor chamado Marcos, de aproximadamente 80 anos, morava em uma casa que estava com o quintal abandonado e ele gentilmente me cedeu para que plantasse nessa área.  O quintal estava com um mato bem alto, com muito entulhos, sujeiras e afins. O solo estava bem compactado. Abaixo segue o passo a passo da transformação que realizei no quintal, que se passou ao longo de quase dois anos.

Limpeza da área e situação inicial do terreno.

limpeza de um terreno urbano para posterior plantio

A quantidade de entulhos presente no terreno era impressionante!

limpeza de um terreno urbano para posterior plantio

Este é o Antônio, meu parceiro na criação de abelhas e proprietário do imóvel onde morava o sr. Marcos.

Vista geral do terreno no início do manejo.

Vista geral do terreno no início do manejo.

 

Retirada de entulho e destinação para o EcoPonto do município de Itapetininga - SP.

Retirada do entulho e destinação para o EcoPonto do município de Itapetininga – SP. Foram realizadas três viagens para transportar todo o entulho!

Retirado o entulho, iniciou-se o controle do capim braquiária, a descompactação do solo e o plantio de algumas culturas. No plantio somente foi utilizado insumos orgânicos como esterco, palhada, cinzas e calcário. Nada de veneno e fertilizante mineral (NPK).

Controle do capim braquiária. O capim braquiária uma vez manejado torne-se uma ótima fonte matéria orgânica para o solo.

Controle do capim braquiária. O capim braquiária uma vez manejado torne-se uma ótima fonte matéria orgânica para o solo, além disso, protege o solo da insolação e erosão.

Controle do capim braquiária e abertura dos berços.

Controle do capim braquiária e abertura dos berços.

Aberto dos berços e incorporação do capim braquiária.

Aberto dos berços e incorporação do capim braquiária.

Estacas de mandioca plantas nos berços.

Estacas de mandioca plantas nos berços.

Milhos crioulos que foram semeados na área. As sementes crioulas são bem fortes, resistentes e produtivas.

Milhos crioulos que foram semeados na área. As sementes crioulas são bem fortes, resistentes e produtivas.

Bananeira plantada. Nota-se que utilizei uma palhada para coroar a bananeira, dessa forma o solo fica protegido da chuva e sol, mais úmido e serve de alimento para a biota do solo.

Bananeira plantada. Nota-se que utilizei uma palhada para coroar a bananeira, dessa forma o solo fica protegido da chuva e sol, mais úmido e serve de alimento para a biota do solo.

Bambus fixados para servir de suporte para o maracujazeiro trepar.

Bambus fixados para servir de suporte para o maracujazeiro trepar.

Terminado os cuidados com o solo e o plantio de algumas cultural como: milho, abóbora, mandioca, banana, maracujá e tomate, começou-se a colher alguns frutos.

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Os milhos crescendo juntamente com a abóbora.

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Nesta imagem verificamos que o milho, mandioca e abóbora crescendo juntos, não há competição. Cada um no seu estrato, o que há é cooperação!

Tem espaço para o tomateiro também!

Tem espaço para o tomateiro também!

Tomatinhos colhidos! Vale ressaltar que a produção foi muito boa.

Tomatinhos colhidos! Vale ressaltar que a produção foi muito boa.

Nesta imagem verificamos que a bananeira cresceu bastante e está bem mais vigorosa do que quando foi plantada.

Nesta imagem verificamos que a bananeira cresceu bastante e está bem mais vigorosa do que quando foi plantada.

Tem espaço para couve-manteiga crescer no meio.

Tem espaço para couve-manteiga crescer no meio.

E as culturas continuam a crescer…

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Alguns meses depois e já temos milhos, abóboras e mandioca crescendo muito bem.

As primeiras espinhas de milho começam a se formar.

As primeiras espinhas de milho começam a se formar.

Mais tomates vão sendo colhidos, a produção não pára.

Mais tomates vão sendo colhidos, a produção não para.

As primeiras flores da abóbora começam a aparecer.

As primeiras flores da abóbora começam a aparecer.

Também tem espaço para a salsinha.

Também tem espaço para a salsinha.

Sobrou espaço para a entrada de uma muda de moringa.

Sobrou espaço para a entrada de uma muda de moringa.

E mais tomatinhos!!!

E mais tomatinhos!!!

 

A paisagem mudou! Alguns meses se passaram, o milho já foi colhido (infelizmente eu não cheguei a tirar fotos das espigas) e as abóboras cresceram…

Milho já seco, já teve suas espigas colhidas para milho verde.

Milho já seco, já teve suas espigas colhidas para milho verde.

E as abóboras cresceram.

E as abóboras cresceram.

E mais abóboras. A produção foi fantástica.

E mais abóboras. A produção foi fantástica.

A paisagem muda novamente. A palhada do milho e abóbora vão aos poucos sendo incorporada ao solo, a braquiária reaparece e novas culturas vão surgindo e o ciclo não para.

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Com a entrada de luz na área o capim braquiária reaparece, aos poucos ele será incorporado ao solo, fornecendo bastante matéria orgânica.

E cerca de 6 meses depois a bananeira ficou muito bem.

E cerca de 6 meses depois a bananeira ficou muito bem.

Pé de café plantado. Nota-se a cobertura solo com palhada.

Pé de mamão plantado. Nota-se a cobertura solo com palhada.

Pé de café plantado na área.

Pé de café plantado na área.

Sistema radicular do cafeeiro, muito saudável.

Sistema radicular do cafeeiro, muito saudável.

Maracujá recém plantado já começa a trepar no bambu.

Maracujá recém plantado já começa a trepar no bambu.

O maracujazeiro começa a dar suas primeiras flores.

O maracujazeiro começa a dar suas primeiras flores.

E os primeiros frutos do maracujazeiro começam a crescer.

E os primeiros frutos do maracujazeiro começam a crescer.

Momento de muita fartura.

Momento de muita fartura.

Fartura!

Fartura!

Banana-nanica, a melhor que já comi. Manejo totalmente orgânico.

Banana-nanica, a melhor que já comi. Manejo totalmente orgânico.

Colheita da mandioca e banana nanica.

Colheita da mandioca e banana nanica.

colheita da bananeira e mandioca

colheita da bananeira e mandioca

Tem muita flor para a bicharada. O sabugueiro produz muitas flores que atraí insetos e pequenas aves. Ele produz muita biomassa que pode ser usada para adubação verde. É uma ótima planta para os sistemas agroflorestais.

Tem muita flor para a bicharada. O sabugueiro produz muitas flores que atraí insetos e pequenas aves. Ele produz muita biomassa que pode ser usada para adubação verde. É uma ótima planta para os sistemas agroflorestais.

Plantio de juçara. Coloquei pedaços do pseudo caule da bananeira ao redor da muda. A ideia é proteger o solo, nutrir a muda e diminuir o crescimento do mato.

Plantio de juçara. Coloquei pedaços do pseudo caule da bananeira ao redor da muda. A ideia é proteger o solo, nutrir a muda e diminuir o crescimento do mato.

Preparação dos canteiros agroecológicos, mais informações em: https://plantandovida.wordpress.com/2016/07/02/canteiro-agroecologico/

Preparação dos canteiros agroecológicos, mais informações em: https://plantandovida.wordpress.com/2016/07/02/canteiro-agroecologico/

Canteiro agroecológico com diversidade de hortaliças.

Canteiro agroecológico com diversidade de hortaliças.

Vista geral do terreno com manejo agroecológico.

Vista geral do terreno com manejo agroecológico.

Capuxinha, considera uma planta alimentícia não convencional (PANC) é uma delícia, come-se as folhas, flores e da semente pode fazer conserva.

Capuxinha, considera uma planta alimentícia não convencional (PANC) é uma delícia, come-se as folhas, flores e da semente pode fazer conserva.

morango-silvestre

morango-silvestre

Apareceram no quintal muitas plantas alimentícias não convencionais.

alface-do-mato

alface-do-mato

bertalha

bertalha

caruru

caruru

 

moringa oleifera

moringa oleifera

pé de café em floração no manejo agroecológico

pé de café em floração no manejo agroecológico

Finalizo este relato respondendo a pergunta do título. Sim,  é possível transformar pequenos espaços ociosos nas áreas urbanas/ruais em lindas hortas com muito alimento saudável, sem venenos e adubos minerais. Basta ter muita força de vontade, perseverança e criatividade.

Gostaria de agradecer ao meu amigo Antônio Carlos Jr. e ao senhor Marcos por essa oportunidade. Gratidão!

 

Felipe Furtado Frigieri

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Canteiro Agroecológico

O desenvolvimento de qualquer vegetal terrestre depende fundamentalmente de um solo com boa qualidade. O solo apresenta três propriedades que devem ser levadas em consideração durante o manejo de qualquer sistema agrícola/florestal, que são: química, física e biológica. Um solo considerado bom é aquele que apresenta um equilíbrio entre esses fatores. A grande questão é, como se chega nesse equilíbrio?

Biológico

Inicialmente é preciso entender que o solo é vivo! Existem no solo centenas de milhares de macro e microorganismos vivendo e interagindo, direta e indiretamente, com os vegetais. Exemplo disso, é o caso das micorrizas e  bactérias do gênero Rhizobium, as quais através da associação com a raízes de alguns grupos vegetais, principalmente as leguminosas, fixam nitrogênio do ar e o incorporam no solo.

A macro fauna do solo, como minhocas, besouros, cupins, ajudam a degradar a matéria orgânica, liberando nutrientes aos poucos no solo. Além disso, a atividade desses organismos acaba por criar galerias no solo, facilitando a infiltração da água da chuva e a penetração das raízes dos vegetais.

Ao fornecer bastante matéria orgânica para o solo estamos  ajudando a manter os organismos vivos e ,consequentemente, os vegetais bem nutridos e protegidos.

Visto a importância da vida e das relações existentes no solo, devemos evitar os fertilizantes minerais de rápida liberação e agrotóxicos, pois eles  afetam negativamente essa dinâmica, portando, pense duas vezes antes de utilizá-los.

Químico

Para uma boa fertilidade do solo é interessante mantê-lo numa faixa de pH entorno de 5,5. Uma vez que o solo esteja com pH muito ácido,  a liberação de alguns macronutrientes é dificultada,  para reverter isso podemos utilizar calcário (rico em cálcio e magnésio) e ou pó de rocha (rico em macro e micro nutrientes).

Outra técnica para fertilização é a  utilização de adubos verde (feijão-gandú, crotalária, nabo-forrageiro, feijão-de-porco, etc.) que permite a fixação de nutrientes no solo e a adição de matéria orgânica. Fornecer muita matéria orgânica para o solo, ajuda a mantê-lo fértil, vivo e com um pH equilibrado.

Físico

As propriedades físicas de um solo dependem da origem da rocha mãe desse solo, histórico da área, manejo agrícola, relevo e quantidade de matéria orgânica.  Do ponto de vista físico, o ideal é que o solo não esteja compactado e exista uma generosa cobertura morta para protegê-lo da erosão e da insolação. Adicionar bastante matéria orgânica no solo contribui para diminuição de sua densidade, além de  protegê-lo da erosão e insolação. Em solo arenoso, a presença de bastante matéria orgânico irá contribuir na retenção de mais nutrientes e água. Já numa situação de solo de textura mais argilosa, a M.O. contribuirá na retenção de nutrientes e para torná-lo menos denso, facilitando assim o desenvolvimento radicular dos vegetais e a infiltração das água.

Respondendo a pergunta feita no início do texto: um solo bem equilibrado deve conter muita matéria orgânica, visto que ela influencia positivamente os seus três pilares de sustentação – química, físico e biológico.

Abaixo seguem as fotos de um canteiro agroecológico que eu fiz, notem que eu não economizei na matéria orgânica.

canteiro agroecológico

Abertura e descompactação da área que receberá o canteiro.

canteiro agroecológico

Esterco bovino de pasto utilizado na preparação dos canteiros.

canteiro agroecológico

Adubação orgânica do canteiro com esterco bovino. Posteriormente o esterco foi triturado e misturado com a terra.

canteiro agroecológico

Coletei serrapilheira numa floresta bem preservada. A ideia é levar da floresta para o canteiro os organismos benéficos presentes na serrapilheira.

canteiro agroecológico

Serrapilheira (rica em microorganismos benéficos) foi incorporada ao esterco e a terra.

canteiro agroecológico

Mistura do esterno com a serrapilheira.

canteiro agroecológico

Para neutralização do pH do solo e fornecimento de cálcio, foi adicionado casca de ovo triturada.

canteiro agroecológico

Foi adicionado pedaços do pseudo caule da bananeira, ele ajuda a manter o canteiro úmido e libera nutrientes e matéria orgânica para o solo.

canteiro agroecológico

Canteiro todo preenchido com o pseudo caule da bananeira. Entre os pseudo caules serão plantadas as mudas de hortaliça.

canteiro agroecológico

Entre o canteiro foi posto galhos secos. A ideia é diminuir o impacto no solo, pois será um local de passagem.

canteiro agroecológico

Para finalizar, o canteiro foi coberto com palhada de braquiária.

canteiro agroecológico

Canteiro agroecológico pronto.

canteiro agroecológico

Mudas plantadas. Alface, brócolis, couve, repolho, couve-flor e chicória.

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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