Canteiro Agroecológico

O desenvolvimento de qualquer vegetal terrestre depende fundamentalmente de um solo com boa qualidade. O solo apresenta três propriedades que devem ser levadas em consideração durante o manejo de qualquer sistema agrícola/florestal, que são: química, física e biológica. Um solo considerado bom é aquele que apresenta um equilíbrio entre esses fatores. A grande questão é, como se chega nesse equilíbrio?

Biológico

Inicialmente é preciso entender que o solo é vivo! Existem no solo centenas de milhares de macro e microorganismos vivendo e interagindo direta e indiretamente com os vegetais, como é o caso das micorrizas e das bactérias do gênero Rhizobium, as quais através da associação com a raízes de alguns grupos vegetais, principalmente as leguminosas, fixam nitrogênio no solo. A macro fauna do solo, como minhocas, besouros, cupins, ajudam a degradar a matéria orgânica, liberando a aos poucos no solo. Além disso, a atividade desses organismos acaba por criar galerias no solo, resultando em galerias por a água da chuva e as raízes dos vegetais poderão permear facilmente.

Ao fornecer bastante matéria orgânica para o solo estamos  ajudando a manter os organismos vivos e, consequentemente os vegetais bem nutridos e protegidos.

Visto a importância da vida e das relações no solo não devemos utilizar fertilizantes minerais de rápida liberação e agrotóxicos, pois eles  afetam negativamente essa dinâmica, portando pense duas vezes antes de utilizá-los.

Químico

Para uma boa fertilidade do solo é interessante mantê-lo numa faixa de pH entorno de 5,5. Uma vez que o solo esteja com pH muito ácido,  a liberação de alguns macronutrientes é dificultada,  para reverter isso podemos utilizar calcário (rico em cálcio e magnésio) e ou pó de rocha (rico em macro e micro nutrientes).

Outra técnica para fertilização é a  utilização de adubos verde (feijão-gandú, crotalária, nabo-forrageiro, feijão-de-porco, etc.) que permite a fixação de nutrientes no solo e a adição de matéria orgânica. Fornecer muita matéria orgânica para o solo ajuda a mantê-lo fértil e com um pH equilibrado.

Físico

As propriedades físicas de um solo dependem da origem da rocha que o originou, histórico da área, manejo agrícola, relevo e quantidade de matéria orgânica.  Do ponto de vista físico, o ideal é que o solo não esteja compactado e exista uma generosa cobertura morta para protegê-lo da erosão e da insolação. Adicionar bastante matéria orgânica no solo contribui para diminuição de sua densidade, além de  protegê-lo da erosão e insolação. Em solo arenoso, a presença de bastante matéria orgânico irá contribuir na retenção de mais nutrientes e água, já em outro de textura mais argilosa, contribuirá na retenção de nutrientes e a torná-lo menos denso, facilitando assim o desenvolvimento radicular dos vegetais.

Respondendo a pergunta feita no início do texto, um solo bem equilibrado deve conter muita matéria orgânica, visto que ela influencia positivamente seus três pilares – química, físico e biológico.

Abaixo seguem as fotos de um canteiro agroecológico que eu fiz, notem que eu não economizei na matéria orgânica.

canteiro agroecológico

Abertura e descompactação da área que receberá o canteiro.

canteiro agroecológico

Esterco bovino de pasto utilizado na preparação dos canteiros.

canteiro agroecológico

Adubação orgânica do canteiro com esterco bovino. Posteriormente o esterco foi triturado e misturado com a terra.

canteiro agroecológico

Coletei serrapilheira numa floresta bem preservada. A ideia é levar da floresta para o canteiro os organismos benéficos presentes na serrapilheira.

canteiro agroecológico

Serrapilheira (rica em microorganismos benéficos) foi incorporada ao esterco e a terra.

canteiro agroecológico

Mistura do esterno com a serrapilheira.

canteiro agroecológico

Para neutralização do pH do solo e fornecimento de cálcio, foi adicionado casca de ovo triturada.

canteiro agroecológico

Foi adicionado pedaços do pseudo caule da bananeira, ele ajuda a manter o canteiro úmido e libera nutrientes e matéria orgânica para o solo.

canteiro agroecológico

Canteiro todo preenchido com o pseudo caule da bananeira. Entre os pseudo caules serão plantadas as mudas de hortaliça.

canteiro agroecológico

Entre o canteiro foi posto galhos secos. A ideia é diminuir o impacto no solo, pois será um local de passagem.

canteiro agroecológico

Para finalizar, o canteiro foi coberto com palhada de braquiária.

canteiro agroecológico

Canteiro agroecológico pronto.

canteiro agroecológico

Mudas plantadas. Alface, brócolis, couve, repolho, couve-flor e chicória.

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Manejo das colmeias – retirada da lixeira.

Neste vídeo eu mostro uma prática importante no manejo das abelhas sem ferrão, que é a limpeza da colmeia – mais especificamente: a remoção da lixeira.
As abelhas armazenam seus resíduos (excrementos, abelhas mortas, restos de cera, restos de pólen etc.) em montinhos em algumas partes da colmeia, com o passar do tempo as operárias tendem a retirar esses resíduos para fora dos enxames. Para fortalecê-los, podemos retirar os resíduos semanalmente. Ao fazermos isso, estaremos evitando uma possível proliferação de forídeos (mosquinhas que destroem os enxames) dentro dessas lixeiras, poupando o trabalho das operárias e mantendo o interior da colmeia limpo. Tal prática é importantíssima em enxames recém divididos, devido ao pequeno número de operárias para fazer esse trabalho e ainda, se defender de um possível ataque de forídeos.

Limpeza de uma colmeia de mandaguari. Retirada da lixeira.

Limpeza de uma colmeia de mandaguari amarela. Retirada da lixeira.

Lixeira de uma colmeia de manduri.

Lixeira de uma colmeia de manduri.

 

Felipe Furtado Frigieri

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Utilização das abelhas indígenas na educação ambiental

Abelhas indígenas – Conhecer para preservar

Por Felipe Furtado Frigieri / Nosso Bem Estar Itapetininga

Quando pensamos em  abelhas muitas vezes associamos acidentes em decorrência das picadas que as mesmas utilizam para a defesa da colmeia, porém existe um grupo de abelhas nativas que possuem o ferrão atrofiado e são incapazes de ferroar ,denominadas de abelhas indígenas. As abelhas indígenas tem uma  enorme importância econômica e ecológica pois durante as visitam às várias  espécies de plantas para a coleta de pólen, néctar e resinas, cumprem um importante papel ecológico na natureza, a polinização.  Sem polinização, as plantas não produziriam sementes e frutos, e não se reproduziriam para garantir o crescimento e a sobrevivência da vegetação  nativa, ou seja,  a produção de alimentos seria menor.  Se  por um lado as abelhas são fundamentais para a sobrevivência das plantas, estas são imprescindíveis para a sobrevivência  das abelhas, já que lhes oferecem alimentação e moradia.

Felipe_Furtado

Dessa forma, as abelhas sem ferrão são peça chave na manutenção  de diversos ecossistemas onde ocorrem, sendo importante o  desenvolvimento de estratégias para a sua preservação e divulgação. Uma das  maiores ameaças para esses insetos é o desmatamento, pois  muitas espécies necessitam de árvores ocas para nidificação,  além disso, o uso abusivo de defensivos agrícolas em plantações é  outra ameaça constante. Diante desses fatos, o Colégio Objetivo de Itapetininga construiu nas dependências do Parque Ecológico um meliponário para a realização de estudos e aulas teóricas e práticas sobre as abelhas indígenas sem ferrão, inserindo nas crianças e adolescentes a importância desses insetos  do ponto de vista ambiental, econômico e cultural. No meliponário instalou-se quatro caixas de abelhas nativas de três espécies diferentes, sendo uma de jataí, uma de mirim-guaçu e duas de mandaçaia. Todas mansas e ideais para a prática da educação ambiental.

utilização de abelhas nativas como ferramenta na educação ambiental

Crianças conhecendo um pouco do incrível universo das abelhas nativas.

 

Fonte: http://itapetininga.nossobemestar.com/posts/735-abelhas-indigenas

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Jataí: da captura à transferência.

Estamos no mês de fevereiro, terminando a época ideal para captura de enxames, a qual teve seu inicio no mês de setembro, sendo assim,  espero que muitas pessoas tenham conseguido bons resultados com as iscas-pet.

Capturas de abelhas nativas nas isca-pet.

Capturas de abelhas nativas nas isca-pet.

Jataí capturada na isca pet.

Jataí capturada na isca pet.

Abelha mandaguari capturada na isca pet.

Abelha mandaguari capturada na isca pet.

Uma vez capturado um enxame na isca-pet é comum que surjam algumas dúvidas, por exemplo,”quanto tempo deixo a isca no campo?”, “como levar a isca capturada no campo para minha casa?”,  “como faço para transferir o enxame da isca pet para a caixa racional?”, portanto o objetivo deste texto é responder essas e outras dúvidas, então vamos lá!

1º Etapa: vistoria, transporte e acomodação da isca.

Primeiro passo: capturei um enxame na isca, quanto tempo devo esperar para levá-lo embora?

Recomendo que deixa a isca no local,  pelo menos por dois meses após a primeira evidência de que as abelhas enxamearam a isca, esse é um tempo ideal para que a colmeia já esteja fortalecida e possua uma rainha.

Segundo passo: qual o melhor horário para levar a isca embora?

Sempre durante a noite, pois durante o dia as abelhas saem para trabalhar no campo, se levarmos a isca a tarde perderemos muitas abelhas.

Terceiro passo: o transporte.

É muito importante que durante o transporte a isca seja mantida na mesma posição na qual ela se encontrava no campo. Não balance a isca, e de forma alguma a deixe de cabeça para baixo. Lembre-se que as iscas simulam um oco de uma árvore, e este não chacoalha, nem vira de cabeça para baixo.

Quarto passo: como e onde devo acomodar a isca capturada?

Mantenha a isca na mesma posição em que ela estava no campo, coloque a num ambiente protegido da chuva e do sol intenso. Tome cuidado com as formigas, evite o acesso das formigas até a isca!

2º Etapa: transferência, acompanhamento, cuidados.

Primeiro passo: a escolha da caixa racional.

Para essa questão eu escrevi um post inteiro, segue o link:

https://plantandovida.wordpress.com/2013/09/24/modelo-de-caixa-para-jatai/

Segundo passo: a transferência.

Para esta etapa eu preparei um vídeo prático, segue o link:

Terceiro passo: acompanhamento.

É fundamental acompanhar o desenvolvimento do enxame na caixa, recomendo vistorias a cada 3 dias. Verificar a produção de novos discos de cria, potes de alimento, presença ou ausência da mosca predadora (forídeo), presença de formigas, etc.

Quarto passo: alimentação.

Preparei um post que trata somente desse assunto, segue o link:

https://plantandovida.wordpress.com/2014/07/20/alimentacao-artificial-para-abelhas-energetica-e-proteica/

 

Obs. Reutilize a isca-pet em que a jataí foi transferida, você irá aproveitar o odor deixado pelas abelhas na pet, isso facilitará outras capturas..

Espero que esse texto que escrevi tenha esclarecido aqueles que apresentavam dúvidas, qualquer outra dúvida é só escrever nos comentários que se abaixo! Boa sorte…

 

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

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A importância da matéria orgânica no solo

Antes de iniciar o assunto, a respeito da influência da matéria orgânica no solo, gostaria de definir “solo” e “matéria orgânica”. Entende-se por solo, como a camada superficial da crosta terrestre, constituída por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos.  Por matéria orgânica entende-se, como os resíduos vegetais, animais e micro-organismos em constante processo de transformação. Note que a matéria orgânica faz parte do componente solo.

A matéria orgânica (M.O.) tem o poder de influenciar positivamente nas características físicas (densidade, porosidade), químicas  (liberação e fixação de nutrientes, regulação do pH, etc.) e biológica (fonte de alimento e substrato para o desenvolvimento de micro-organismos, etc.).   Embora a M.O. encontre-se em quantidade reduzida (~4%) nos solos minerais, ela tem papel fundamental na melhoria de sua fertilidade e no aumento da produtividade vegetal.

Vejamos alguns desses efeitos que matéria orgânica exerce nos solos:

  • A matéria orgânica diminui a fixação e a insolubilização do fósforo, portanto aumentando doses de matéria orgânica no solo, aumenta-se a disponibilidade desse importante nutriente para as plantas –  a matéria orgânica evita o maior contato do fosfato solúvel com óxidos e hidróxidos que o insolubiliza.
  • A única forma de armazenar o nitrogênio no solo é na forma orgânica, visto que as formas minerais são facilmente lavadas pela água da chuva.
  • A adubação orgânica permite abaixar a densidade do solo, tal efeito acontece devido a  densidade da M.O. ser menor que a do solo (mineral). Um solo com boa densidade, significa um solo com boa aeração, e permite que as raízes se desenvolvam bem e absorvam água e oxigênio com mais facilidade.
  • O adensamento e/ou compactação de camadas de solo proporciona alterações no arranjo das partículas, diminuindo o volume de seus poros, aumentando sua densidade e a resistência mecânica à penetração de raízes, água e nutrientes, afetando também atributos químicos (disponibilidade de nutrientes), biológicos (desenvolvimento de microorganismos) e a rizosfera (SILVA et al., 2001).
  • A matéria orgânica é uma importante fornecedora de enxofre para o solo. Do enxofre total encontrado nos solos, aproximadamente 50 a 70% estão na forma orgânica. Sendo assim, a  matéria orgânica é uma importante fornecedora desse macronutriente para os solos brasileiros.
  • As reações químicas da matéria orgânica produzem elementos capazes de reter nutrientes no solo, tais como: o potássio, cálcio, amônio, ferro, zinco, cobre, manganês. Dessa forma, ela evita a perda desses nutrientes durante a lavagem do solo pelas águas das chuvas. Outra responsável pela retenção desses nutrientes no solo são as argilas.
  • O emprego sistemático de adubo orgânico no solo, melhora a sua estruturação, devido aos materiais aglutinantes do húmus, que tem a propriedade de cimentar as partículas do solo (areia, silte, argila) formando agregados estáveis, responsáveis pela sua estruturação.
  • O húmus presente no solo impede alterações bruscas do pH do solo, beneficiando a vasta fauna benéfica que nele vive. A esse efeito é atribuído o nome de “poder tampão”.
  • Manter uma camada de material orgânico sobre o solo permite, a estabilização de sua temperatura superficial, sendo isso, fundamental para o desenvolvimento das raízes e dos micro-organismos; protege o solo da chuva evitando erosões e permitindo uma maior infiltração dessas águas; e ainda, conforme a decomposição do material orgânico ocorre a liberação de nutrientes minerais.
  • A M.O. permite o desenvolvimento de micorrizas, associação mutualística entre fungos e as raízes dos vegetais, dessa interação resulta numa melhor absorção de nutrientes pelos vegetais.
  • Manter e acrescentar a matéria orgânica no solo possibilita a fixação de carbono, dessa forma, contribuí-se para a diminuição do chamado “efeito estufa”.
  • O emprego sistemático de adubos orgânicos contribuem para uma produção de vegetais mais resistentes, dispensando o uso de venenos, os quais são onerosos e fazem mal para saúde e o ambiente, permite, também, a reutilização de certos resíduos industriais, residências e agrícolas,  com elevada quantidade de nutrientes, e que quando mal utilizados provocam danos ambientais.
matéria orgânica no solo

Nesta figura podemos observar uma porção de solo rica em matéria orgânica (direita) e outra pobre (esquerda). Um solo rico em matéria orgânica apresenta coloração escura.

Incorporação de composto orgânico ao redor da muda de bananeira.

Incorporação de composto orgânico, oriundo da compostagem caseira, ao redor da muda de bananeira.

Proteção do solo com material vegetal seco.

Proteção do solo com material vegetal seco. Mantenha o solo sempre coberto, sempre protegido!

Termino este texto com trecho do Sir Albert Howard presente no livro “Um testamento Agrícola”: “A manutenção da fertilidade do solo é a primeira condição de qualquer sistema permanente de agricultura. Os sistemas de produção de colheitas comuns provocam a perda contínua da fertilidade do solo; é, pois imperativo, a sua contínua recuperação através da adubação e manejo do solo. ” Leia adubação como adubação orgânica, pois Howard não compactuava com a ideia da utilização de adubos minerais nos sistemas agrícolas.

 

Felipe Furtado Frigieri

Bibliografia

Howard, A. Um testamento agrícola; tradução Prof. Eli lino de Jesus, 2 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012. 360 p.

Kiehl, E. J. Adubação orgânica – 500 perguntas e respostas / Edmar Jsé kiehl – Piracicaba, 2008. 227 p.

Khatounian, C. A. A reconstrução ecológica da agricultura / C. A. Khatounian. – – Botucatu : Agroecológica, 2001.

SILVA, R. H.; ROSOLEM, C. A. Crescimento radicular de espécies utilizadas como cobertura decorrente da compactação do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.25, n.2, p.253-260, 2001.

 

 

 

 

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Assine – Antes que as abelhas desapareçam!

Divulgando a campanha que pleiteia a proibição do uso de pesticidas neonicotinoides, até que estudos independentes sejam feitos, e só assim, esclareçam se há ou não riscos para o meio, após a sua utilização.

Há suspeitas de que essa categoria agrotóxicos tem provocado a morte ou “sumiço” das abelhas.

As abelhas tem papel fundamental na manutenção da vida na terra. Pois elas são responsáveis por grande parte do processo de polinização. A partir da polinização, é que são formados a maioria dos nossos alimentos.  Sem esse processo, uma infinidade de sementes e frutos deixarão de se formar, provocando, assim,  uma onda de desequilíbrios ambientais, sociais, culturais e econômicos.

Não permita que isso aconteça. Assine, por favor!

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees_us_pet_loc/?slideshow.

Abelha mamangava realizando a polinização na flor do maracujazeiro.

Abelha mamangava realizando a polinização na flor do maracujazeiro.

 

Obrigado!

 

Felipe Furtado Frigieri

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Alimentação artificial para abelhas – energética e proteica

As abelhas retiram os seus alimentos basicamente das flores das plantas. Do néctar coletado nas flores elas fabricam o mel e do pólen recolhido, elas misturam com alguns de suas enzimas e produzem uma massa proteica. O néctar e pólen são armazenados em potes ou discos para serem consumidos diariamente e principalmente em períodos de escassez de flores.

O estoque de alimento feito pelas abelhas permite que elas consigam sobreviver tranquilamente nos períodos em que não haja oferta de flores.

Na natureza a relação plantas-abelhas acontece perfeitamente, pois ocorre de maneira equilibrada. Quando mudamos da ótica da natureza para, por exemplo, uma criação racional de abelhas, onde há várias colmeias por metro quadrado, o que não acontece no ambiente natural, à dinâmica é outra. Desse jeito, e é preciso que o meliponicultor ou apicultor forneça uma alimentação “artificial” para seus enxames, especialmente nos períodos de escassez floral, caso contrario as colmeias ficarão muito fracas podendo até morrer.

O alimento artificial que se utiliza tenta imitar as duas principais fontes alimentares das abelhas, o néctar e o pólen. O néctar tem função energética, e pode ser substituído por um xarope de água com açúcar. A massa de pólen é a principal fonte proteica e vitamínica das abelhas,  e pode ser trocado pelo pólen desidratado de Apis (encontra-se à venda em loja de apicultura ou de produtos naturais)com um pouco de mel, formando os chamados “bombons do Cappas”.

Modo de preparo do xarope energético.

Misturar partes iguais em massa de açúcar e água num recipiente, aquecer no fogo e aguardar até que a mistura fique homogênea, ou seja, quando todo o açúcar estiver dissolvido. Para finalizar devemos acrescentar suco de limão na mistura (água + açúcar) quando ela ainda estiver aquecida. Para 1000 ml de água use 1000 g de açúcar e o suco de um limão – de preferência ao limão “galego” ou “tahiti”. O limão contém ácido cítrico, e esse ácido é capaz de desdobrar a sacarose do açúcar em glicose mais frutose, facilitando assim, o trabalho digestivo das abelhas.

 

Modo de preparo do “bombom de Cappas”.

Segue um vídeo do “youtube” que ensina passo a passo como preparar os bombons.

Alimentação energética fornecida à mandaçaias.

Alimentação energética fornecida à mandaçaias.

Alimentação proteica fornecidas à mandaçaias. Observar que elas já começara se alimentar dos bombons.

Alimentação proteica fornecidas à mandaçaias. Observar que elas já começara se alimentar dos bombons.

Alimentação energética fornecida à abelha jataí.

Alimentação energética fornecida à abelha jataí.

Felipe Furtado Frigieri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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